Instituição vai identificar e capacitar possíveis empreendedores individuais entre o público alvo do programa lançado hoje pela presidente Dilma Rousseff
Brasília - Pelo menos 1,7 milhão dos 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza que serão atendidos pelo Plano Brasil sem Miséria, lançado nesta quinta-feira (2) pela presidente Dilma Rousseff, pode desenvolver algum tipo de atividade empreendedora. Com o objetivo de mapear esse público, o Sebrae vai visitar cerca de 70 cidades com o maior volume de famílias carentes mapeadas pelo governo federal. A instituição vai formar agentes de orientação empresarial para ajudar na formalização e capacitação de pessoas que trabalham na informalidade ou que têm perfil de virar empreendedor individual – trabalhadores por conta própria que faturam até R$ 36 mil por ano.
"O Sistema Sebrae tem muito a contribuir com o programa do governo federal. Estamos presentes em todos os estados brasileiros e vamos trabalhar conjuntamente com os órgãos públicos para identificar potenciais empreendedores atendidos pelo programa social. O segundo passo é capacitá-los para desenvolver pequenos negócios nas suas regiões. Sem dúvida, o empreendedorismo é um mecanismo de inclusão produtiva e geração de renda", afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, que participou do lançamento do programa no Palácio do Planalto.
O evento reuniu diversos ministros, parlamentares e governadores. A importância dos empreendedores foi destacada pela presidente Dilma. "Um país de micro e pequenos empresários, e de médios e grandes, é um país que tem todas as condições de ter cidadãos participantes. O pessoal do Bolsa Família também vai receber capacitação para deixar o programa de forma mais salutar", disse a presidente.
Os possíveis beneficiados do Brasil Sem Miséria serão identificados pelo governo por visitas domiciliares e cruzamentos de bases cadastrais com o objetivo de localizar, cadastrar e incluir as famílias com renda familiar de menos de R$ 70 por pessoa. As iniciativas de inclusão previstas pelo governo vão além do acesso aos serviços públicos. "Sobram vagas de empregos e oportunidades de negócios no Brasil. As famílias apresentam baixa escolaridade e acabam perdendo essas oportunidades. Vamos promover ações de qualificação conectadas à demanda real de cada cidade", disse a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
O programa terá investimentos anuais de R$ 20 bilhões do Tesouro Federal e prevê a capacitação e o fortalecimento da participação na coleta seletiva de 60 mil catadores até 2014. O objetivo é melhorar as condições de trabalho e a ampliação das oportunidades de inclusão socioeconômica deste público. Outra meta prevê o aumento de 66 mil para 255 mil o número de agricultores familiares em situação de extrema pobreza atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos. A presidente Dilma firmou um acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para que as empresas adquiram os itens produzidos por esses agricultores.
Uma das promessas de campanha da presidente Dilma, o Plano Brasil Sem Miséria agrega transferência de renda, acesso a serviços públicos nas áreas de educação, saúde, assistência social, saneamento, energia elétrica e inclusão produtiva. O programa prevê um conjunto de ações que envolvem a criação de novos programas e a ampliação de iniciativas já existentes, em parceria com estados, municípios, empresas públicas e privadas e organizações da sociedade civil. Para chegar a esse público de 16,2 milhões de pessoas que vivem com menos de R$ 70 por mês, o governo vai seguir os mapas da extrema pobreza produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mariana Flores
ASN